“É no contraste das grandes lutas que podemos notar a graça de Deus. Certas situações só podem ser transpostas por nós se o Senhor nos acudir ou nos livrar. E somente os nobres têm olhos para perceber a ação do Todo-Poderoso por trás das tempestades”

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“Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” Salmos 116:12

Os Salmos têm sido ao longo dos séculos uma fonte de consolo e revelação para o povo de Deus. Em meio à sua musicalidade e poesia, homens de Deus expressaram sua alma e apontaram para o céu, dando glória ao único que é digno de recebê-la.

No Salmo 116, de autoria desconhecida, vemos alguém com uma preocupação nobre: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” Esta é a expressão central deste salmo.

Duas ideias muito fortes brotam do coração deste servo de Deus. Coisas que não costumam ocupar a mente da maioria das pessoas, incluindo os cristãos. A primeira é: “Deus tem me beneficiado”. Somente pessoas nobres se dão ao trabalho de parar e refletir no que o Senhor fez e faz por elas. A maioria segue a vida como se tudo fosse obra do acaso ou, pior ainda, colocando o foco nas dificuldades e mantendo um coração amargo em decorrência das mesmas.

A segunda ideia, não menos nobre é: “Eu preciso fazer algo para mostrar minha gratidão”.  A pergunta “que darei?” nasce do entendimento de que a gratidão não pode ficar só na consciência ou no sentimento, mas precisa revelar-se em atitudes práticas. Essa é a ideia contida no termo “ações de graças”, tão repetido na Bíblia. Se eu quero dar graças a Deus por alguma coisa, é melhor que eu o faça por meio de ações e não apenas de palavras.

Talvez alguém imagine que a necessidade de agradecer a Deus na vida deste salmista advenha de uma vida fácil, sem problemas. Entretanto, o que o testemunho desse homem nos revela é que, justamente por ter sobrevivido à muitas dores, sua alma clama por adorar. Muitas de suas palavras revelam o nível de problemas que ele enfrentara: “Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza” (vs. 3)… “Achava-me prostrado” (vs. 6). No versículo 8 ele fala ao Senhor: “Livraste da morte a minha alma, das lágrimas, os meus olhos, da queda, os meus pés”. Suas decepções com pessoas haviam sido tão destrutivas que ele confessa: “Eu disse na minha perturbação: todo homem é mentiroso” (vs. 11). Enfim, não é de uma vida tranquila que nasce o desejo de agradecer nesse escritor sacro. Ao contrário, é justamente por ter sobrevivido às tribulações e por reconhecer que a mão de Deus o preservara, que ele se manifesta.

É no contraste das grandes lutas que podemos notar a graça de Deus. Certas situações só podem ser transpostas por nós se o Senhor nos acudir ou nos livrar. E somente os nobres têm olhos para perceber a ação do Todo-Poderoso por trás das tempestades.

O poeta que escreve este Salmo era um nobre. Apesar das intensas lutas, ele discernia o socorro de Deus: “Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas.  Porque inclinou para mim os seus ouvidos, invocá-lo-ei enquanto eu viver… O Senhor vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou” (vs. 1,2 e 6).

Diante da consciência de que a bondade de Deus tem atuado em nosso favor, o que podemos fazer para revelar gratidão? Essa era a grande busca do salmista e, em decorrência dela, ele apresenta algumas posturas muito práticas, que vão além de dizer “obrigado” ou cantar uma canção. São as vias da gratidão.

A primeira é aceitar e desfrutar da proposta da salvação. Em reposta à questão “que darei ao Senhor pelo que me tem feito?”, ele diz: “Tomarei o cálice da salvação” (vs. 13 a). De fato, qualquer tentativa de agradar a Deus começa em aceitar a obra da Cruz. E isso é mais do que receber um benefício eterno. É mergulhar no privilégio de desfrutar do Senhor, que nos brinda com seu amor e nos chama para um relacionamento apaixonado.

A segunda forma que o salmista encontrou de agradecer a Deus foi cultivar uma vida de busca constante: “Invocarei o nome do Senhor” (vs. 13 b), é o que ele diz. A vida de oração, de invocação do nome do Senhor, como fala o texto, é uma das maneiras mais poderosas de valorizá-lo. No meio de tanta correria, de tantos interesses e necessidades que temos, parar para buscar a Deus é uma demonstração de Ele está à frente de todas as nossas prioridades.

A terceira maneira de mostrar um coração grato é manter a aliança de fidelidade assumida com Deus: “Cumprirei os meus votos ao Senhor” (vs. 14 a). Quando abraçamos a fé, aceitamos uma agenda celestial, assumimos compromissos a partir de sua palavra. Andar em obediência prática é uma oferta que sobe à sua presença e que revela quão a sério levamos seu investimento em nós

O salmista também menciona viver em comunhão com o povo santo como uma forma de honrar o Senhor. Ele diz que pagará seus votos “na presença de todo o seu povo” (vs. 14 b).

Deus ama a sua casa. Ele é um Pai amoroso e seu desejo é que vivamos como membros de sua família, que nos portemos como filhos amados e que também se amam. Não é possível ter uma vida de ação de graças vivendo na autonomia e no isolamento, longe da casa de Deus ou sem aliança com ela.

Estas são as respostas diretas à pergunta central do Salmo 116. Entretanto, como essa questão é a âncora de tudo o que o escritor diz, ele também propõe que sustentar um testemunho firme diante dos homens é uma forma de dar graças a Deus. Suas palavras no versículo 9 trazem esta ideia: “Andarei na presença do Senhor na terra dos viventes”.

Não é fácil manter a comunhão com Deus no mundo em que estamos. Sofremos pressões de todos os lados. Somos como ovelhas em meio a lobos. Mas preservar a nossa tocha acesa em meio às trevas é uma maneira eficaz de corresponder às tantas bênçãos que nos acompanham.

O resumo de tudo é: quem é grato a Deus mostra isso com muito mais que palavras!

 

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