Você não precisa ser igual a ninguém, mas precisa aceitar desenvolver a mesma visão. Como aquelas varas eram de espécies diferentes, mas talhadas na mesma padronagem, assim também devemos estimular a diversidade, sem abrir mão da unidade.

“Tomou, então, Jacó varas verdes de álamo, de aveleira e de plátano e lhes removeu a casca, em riscas abertas, deixando aparecer a brancura das varas…” – Gênesis 30:37

Por anos tenho cavado nesse texto buscando uma revelação além do óbvio sobre a fé de Jacó e a fidelidade do Senhor. Certamente há muitas, mas confesso que a chave do que vou compartilhar me veio através de um texto do Pr. Marcos Arrais, que não conheço pessoalmente, mas é meu seguidor no Twitter. Ao sugerir essas varas como uma figura dos líderes/discípulos que devemos ser, ele me abriu um horizonte muito edificante que quero compartilhar com você.

A ideia de pensar em varas como figuras de pessoas não é uma originalidade. Na Bíblia encontramos a vara de Arão florescendo, representando a escolha daquela casa para o sacerdócio, e Jesus se referindo a nós como varas da videira verdadeira, que é Ele mesmo (conf. Jo 15:1-2). Estas, além de outras citações, me deixam à vontade para trabalhar a mesma alegoria.

O que temos aqui no contexto é um pastor (Jacó) tentando multiplicar o seu rebanho, enquanto um outro pastor (Labão), corrupto, tentava impedi-lo e concorrer com ele usando da fraude. Podemos tomar isso como uma representação do cenário que a Igreja vive em nossos dias. De um lado, homens de Deus, sérios, esforçando-se por multiplicar um rebanho saudável que traga as marcas do verdadeiro evangelho. De outro, maus líderes que roubam ovelhas com sofismas e sutilezas e estabelecem uma concorrência desleal.

Na disputa entre Jacó e Labão, Jacó prevaleceu e seu rebanho se multiplicou com grande saúde. O segredo para isso foi que ele usou varas como referências para a multiplicação do rebanho. Quando suas ovelhas viam as varas talhadas no padrão que ele buscava, reproduziam-se conforme aquele padrão (listradas, malhadas e salpicadas).

O segredo, portanto, é levantar referências para o rebanho. Vamos tentar mergulhar um pouco mais nessa revelação e entender quais as demandas para que nos tornemos modelo para uma multiplicação sobrenatural da Igreja.

O texto começa dizendo que “tomou, então, Jacó varas verdes”. Isso fala de maleabilidade. “Varas verdes” são mais fáceis de trabalhar por serem mais tenras e, portanto, flexíveis ao manuseio. Você já tentou trabalhar com madeira seca? Ela já envergou o que pôde, não se amolda mais a nenhuma tentativa de remodelagem.

Pessoas endurecidas pelo orgulho religioso não servem de padrão para o rebanho. Qualquer esforço para moldá-las encontra resistências e frustra o trabalho de que nelas investe. Jesus, ao iniciar Seu ministério terreno, escolheu para si doze “varas verdes”. Havia muitas pessoas “prontas” em Jerusalém, mas ele preferiu buscar homens moldáveis na Galiléia.

O bom crente é aquele que nunca para de aprender, que nunca se enrijece em seu conhecimento e experiência. Jesus nos advertiu sobre mantermo-nos como crianças. É por isso que Paulo fala sobre a necessidade constante readequação: “Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” (Rm 12:2).

Um dia Deus surpreendeu a Pedro com a visão de um lençol cheio de animais considerados impuros pela religião judaica e lhe disse: “Mata e come!” Aquela era uma ordem que não cabia nos seus conceitos religiosos. Ainda bem que, embora fosse um apóstolo cheio de convicções, Pedro não tinha deixado de ser  “vara verde”. Foi sua disposição de mudar, de expandir-se em sua forma de compreender as coisas que deu ocasião para o Espírito trabalhar a abrir a oportunidade aos gentios para receberem o evangelho. Portanto, decida ser “vara verde”, sempre, e aqui não estamos falando de vulnerabilidade, mas de flexibilidade.

O texto bíblico que nos inspira hoje também traz a idéia de diversidade: “varas verdes de álamo, de aveleira e de plátano”. É interessante que, embora o processo de modelagem das varas fosse o mesmo, elas eram diferentes entre si. Uma igreja saudável manifesta a multiforme graça de Deus, respeita a multiplicidade de dons e personalidades, mas mantém a unidade de visão e propósito.

Você não precisa ser igual a ninguém, mas precisa aceitar desenvolver a mesma visão. Como aquelas varas eram de espécies diferentes, mas foram talhadas na mesma padronagem, assim também devemos estimular a diversidade, sem abrir mão da unidade. A igreja primitiva tinha “um só coração e uma só alma” e “todos perseveravam unânimes na doutrina dos apóstolos”. Há uma maravilhosa riqueza na diversidade, quando ela não é sustentada pelo orgulho. A igreja só tem a ganhar quando seus líderes têm dons diferentes, personalidades diferentes, ênfases diferentes, mas revelam uma padronização de caráter com os valores de Cristo. É a valorização da diversidade em prol da unidade!

Na próxima publicação continuaremos mergulhando nessa revelação para fazer o rebanho de Jacó prevalecer sobre o de Labão.

 

Fonte: CCRP

 

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